Sou mãe da pequena flor, Lórien, que completou seus dois aninhos há pouco tempo. Confesso que não foi muito bem planejada a gravidez, descobri que estava de 10 semanas dois dias após meu casamento, mas foi muito muito desejada, querida e amada desde o início da gravidez. E hoje, estou grávida de 26 semanas. Quando descobri estava com 5 semanas, e senti medo, senti raiva, senti nervosismo, infelizmente não fiquei feliz imediatamente com a situação. Mexeu muito comigo, não estava preparada. O olhar de julgamento de todos, até da família, me deixaram ainda mais pra baixo. Eu me apoiei. Com o tempo passei a amar a ideia de ter um casal, de ter duas crianças. Mas tudo isto me assustou no início, condições psicológicas, financeiras, físicas...
A experiência de ser mãe me engrandeceu, me amadureceu, e me revolucionou de várias formas. Descobri que sou uma leoa, que sou mil e uma utilidades, que as mães deveriam entrar para o livro dos records por vários aspectos. rsrs Amo e vivo cada momento com minha filha e minha familia intensamente. Mas isto, sou eu. Só diz respeito a mim. Jamais poderia julgar alguém que não concorde comigo, jamais poderia ditar como devem ser as experiências de outras pessoas.
Eu sou a favor da descriminalização do aborto. A favor da legalização. Sou a favor da autonomia feminina para decidir sobre o próprio corpo, sobre a própria vida. Porque a maternidade é – ou deveria ser – uma escolha, jamais algo compulsório, muito menos uma punição.
Porque métodos preventivos falham. Porque não me sinto no direito de julgar o que cada mulher deveria ter feito para se prevenir de uma gravidez indesejada. Porque coisas inesperadas acontecem. Porque o aborto do homem acontece todos os dias, debaixo dos nossos narizes, sem que os responsáveis sejam socialmente julgados por isso. Por tudo isso, mas principalmente porque o que leva uma mulher a optar por interromper uma gestação diz respeito a ela e a mais ninguém – nem a mim, nem à polícia, nem à sociedade, nem ao Estado.
Apenas aceitemos esta realidade: mulheres abortam. Fato. Você pode até não saber, mas entre o seu círculo de conhecidas, certamente há mulheres que abortaram, pelos mais variados motivos e submetendo-se às mais variadas formas de violência e aos mais variados níveis de risco.
Sou, sim, a favor da vida – a favor da vida de cada mulher que morre em decorrência de abortos clandestinos, de cada mulher que sofre violência em situação de abortamento, de cada mulher que se vê forçada a prosseguir com uma gestação indesejada, sem convicção de que aquilo é o certo a se fazer, sem estrutura, sem apoio, sem condições físicas, financeiras e/ou psicológicas, sem coisa alguma. A criminalização do aborto mata mulheres, todos os dias. Todos os dias. Enquanto se escolhe a melhor foto do álbum de gestante para postar ‘a favor da vida’, uma mulher morreu em decorrência da criminalização do aborto. Talvez duas. Três. Quem está contando?