sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Mãe de dois: da comédia ao drama e vice-versa.

O drama.

Nossa primeira gravidez não foi planejada, mas foi querida, aceita e desejada desde o início. A segunda também não planejada, foi na verdade uma surpresa, que me encheu de medos e inseguranças, que me impediram de ficar tão feliz como da primeira. Tudo isto junto com hormônios loucos, pressão social, o sentimento de que não tinha e não teria apoio. 
Por sentir tudo isto na segunda gestação, já comecei a sentir que não era justa, não estava sendo justa com meu pequeno guardião, que não o amei mesmo antes de vê-lo e tocá-lo. Me culpava e me condenava todos os dias. E ainda o faço. 
Estou à flor da pele, uma pilha de nervos. Às vezes por motivos grandes, outras por coisas pequenas e insignificantes, que tomam uma proporção enorme dentro de mim. E acho que por isto minha produção de leite diminuiu. Tive que partir para a fórmula para complementar. Ele mamava, e quando queria mamar novamente, ainda não tinha dado tempo de encher as mamas. E isto só me consumia, e me consome. Choro. Por me sentir impotente. Por achar que estou falhando com ele. Por achar que estou em falta com ele. Por achar que estou sendo injusta de certa forma. 
Quem vê de fora pensa: é exagero. Até quem me vê e me acompanha todos os dias não consegue ver, sentir ou entender a pressão que sinto aqui dentro. A tristeza contínua.
Uma tristeza que vai e vem. E acaba camuflada com a correria de arrumar casa, fazer comida, trocar fralda, lavar roupa, lavar banheiro, dobrar e guardar roupas, dar banho nas crianças, amamentar, fazer mamadeira, dar comida. 
Tenho medo de me perder no meio de tudo isto.

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