domingo, 12 de junho de 2016

PELOS DIREITOS DOS MENINOS


"Que nenhum menino seja coagido pelo pai a ter a primeira relação sexual da vida dele com uma prostituta (isso ainda acontece muito nos interiores do Brasil!)
Que nenhum menino seja exposto à pornografia precocemente para estimular sua “macheza” quando o que ele quer ver é só desenho animado infantil (isso acontece em todo lugar!)
Que ele possa aprender a dançar livremente, sem que lhe digam que isso é coisa de menina
Que ele possa chorar quando se sentir emocionado, e que não lhe digam que isso é coisa de menina
Que não lhe ensinem a ser cavalheiro, mas educado e solidário, com meninas e com os outros meninos também
Que ele aprenda a não se sentir inferior quando uma menina for melhor que ele em alguma habilidade específica – já que ele entende que homens e mulheres são igualmente capazes intelectualmente e não é vergonha nenhuma perder para uma menina em alguma coisa
Que ele aprenda a cozinhar, lavar prato, limpar o chão para quando tiver sua casa poder dividir as tarefas com sua mulher – e também ensinar isso aos seus filhos e filhas
Na adolescência, que não lhe estimulem a ser agressivo na paquera, a puxar as meninas pelo braço ou cabelos nas boates, ou a falar obscenidades no ouvido de uma garota só porque ela está de minisaia
Que ele não tenha que transar com qualquer mulher que queira transar com ele, que se sinta livre para negar quando não estiver a fim – sem pressão dos amigos
Que ele possa sonhar com casar e ser pai, sem ser criticado por isso. E, quando adulto, que possa decidir com sua mulher quem é que vai ficar mais tempo em casa – sem a prerrogativa de que ele é obrigado a prover o sustento e ela é que tem que cuidar da cria
Que, ao longo do seu crescimento, se ele perceber que ama meninos e não meninas, que ele sinta confiança na mãe – e também no pai! – para falar com eles sobre isso e ser compreendido
Que todo menino seja educado para ser um cara legal, um ser humano livre e com profundo respeito pelos outros. E não um machão insensível!
Acredito que se todos os meninos forem criados assim eles se tornarão homens mais felizes. E as mulheres também serão mais felizes ao lado de homens assim. E o mundo inteiro será mais feliz. O machismo não faz mal só às mulheres, mas aos homens também, à humanidade toda."
Silvia Amélia de Araújo
Hoje deixei Lorien pintar minhas unhas. Enquanto pintava, ela disse:
- mamãe, a gente não pode pintar a unha do Liam.
Perguntei o porquê, já com receio de que usasse o discurso de que é para meninas. Eis que ela me responde:
- porque ele é muito pequeno, ainda não sabe se quer pintar a unha.

O tempo



O tempo escorre pelas mãos e a gente nem sente. Ontem minha neném. Hoje minha menina, observadora, questionadora, com medos, e anseios. Que quer descobrir o mundo, quer pilotar moto, quer ser mamãe, quer ser tatuadora, e médica, e professora, e dançarina e ter uma banda. É tão bonito de se ver. Todas as vontades e descobertas.

Lóri, caneta e papel






quinta-feira, 19 de maio de 2016

Nem tudo São Flores...

De Flores e espinhos é feita a maternidade....
Hoje estou com meus dois pimpolhos doentes. Muita tosse, muito catarro. De ves em quando uma febre. Enjoo por causa da gripe. Dificuldade pra comer e irritabilidade.
Tento de todas as formas afagar, acalmar e amenizar os incômodos. Mas eu não sou feita de ferro. Eu me canso. Eu desabo às vezes. Choro de preocupação e grito tentando extravazar a frustração do sentimento de impotência.
Não é mentira quando dizem que as mães queriam ter o poder de absorver as dores do filho, pra que ele fique bem. Nessa hora só o que podemos ser é... Fortes! Pra suportar o enjoo, pra pegar no colo, acalmar, segurar pra dar remédio, passar até por cima daquilo que você não costuma permitir.... Assistir TV o dia todo, chupar balinha, comer doce. Tudo o que queremos é que fiquem bem e felizes.

sábado, 19 de março de 2016

É só a mãe!

( Estou acordada às 04:10, ainda não consegui dormir profundamente. Liam já acordou 6 vezes. Duas delas, se espremeu todo com dor de barriga e diarreia. Estou aqui de plantão, ouvindo gemidos, massageando barriga, dando remédio, dando mamadeira, pensando e imaginando o que pode estar fazendo mal pra ele. Perco horas de sono tentando pensar numa solução. )

Já parou pra reparar que quando o filho precisa de algo, na maioria das vezes o nome pelo qual ele grita é: MAMÃEEEEEE. ?

"To com fome. Vem me limpar. Me conta uma história. To com sede. To com medo. Não consigo dormir. Estou com dor. Me ajuda na tarefa. Olha o que eu fiz. Vamos brincar? "

Isso porque é a mãe quem alimenta, acalenta, sacia, conversa, mais se doa. E não adianta dizer... Ah, mas Fulano é um ótimo pai, troca fralda, brinca com os filhos. Que bom que faz isso, e não é mais do que a obrigação. Pai raramente deixa de fazer xixi, tem companhia no banheiro ao fazer coco, mal toma banho, lavar o cabelo é luxo, prepara o lanche da escola, ajuda com as atividades escolares, da banho todos os dias, leva ao médico, deixa suas dores de lado pra curar as dores dos filhos, esquece vida social, perde amigos por ter se tornado pai, perde trabalhos por ser pai, fica noites em claro apenas pensando em como tirar a dor do filho, tem a roupa suja de papinha, meleca, vômito... Sabe como tem que era o coco do filho.

O pai faz uma coisa ou outra dessas. Um dia ou outro. A mãe vive isso integralmente.

sexta-feira, 18 de março de 2016

A vida real

Às vezes acho tudo meio injusto. O abismo que há entre a maternidade e a paternidade. A minha diversão passou a ser os encontros no parquinho com outras mães. Acho isso meio triste. Não que eu não goste. Eu adoro conversar com outras mães. Trocar figurinhas de maternidade, falar sobre desenvolvimento, momentos importantes, trocar experiências, dar e receber dicas. É ótimo. Mas eu também adoro conversar sobre política, estudos, trabalho, falar besteiras, rir de qualquer coisa, beber, cantar, dançar. Mas eu não faço mais isto.

A maternidade é assim.... Você ama e odeia ao mesmo tempo. Turbilhão de sentimentos e emoções, roupa suja de papinha, casa bagunçada, sorrisos das crianças, pia suja, abraços e beijos, companhia no banheiro, "mamãe, eu te amo", noites sem dormir, pegar no sono junto com as crianças, filho doente, filho com sono, com fome, nervoso, um desenho seu feito por ele, historinha pra dormir, primeira palavra, primeiros passos, vida social comprometida, amizade com outras mamães, adiar planos, incluí-los em novos planos. Ao mesmo tempo que você quer fugir dali, você não se imagina fazendo outra coisa.